Com que acessório eu vou?

Fim de ano, natal chegando, um ou outro aniversário perdido, amigo secreto. E o que dar de presente? De bobeira acabei parando em um site com alguns acessórios retrôs e interessantes – boa parte para o público feminino. As fotógrafas ou seus respectivos amigos/maridos/namorados podem escolher também. Fiz uma listinha sobre possíveis presentes para os profissionais da área ou admiradores da arte. E fica a dica se alguém quiser me presentear também! Haha

R$ 54

R$ 41

R$ 42

R$ 41

R$ 39

R$ 48

R$ 43

R$ 48

R$ 29

Anéis:

De R$ 36 a R$ 39

Camisetas:

R$ 49 - frete grátis

R$ 49 - frete grátis

O acessórios são da Laços de Filó, e as camisetas do ChicoRei. Outros acessórios para fotógrafos podem ser vistos aqui.

Born this way, baby

Não, o título até pode remeter à música da Lady Gaga, João Paulo Dantas que me desculpe, mas a atenção de hoje vai para outra coisa. Será que dá para resumir o tempo de espera e a sensação de pegar no colo? Algo que você contribuiu para que se formasse. Não cresceu no útero, mas sofremos dor de parto. Enfim, nasceu. Após sete meses – e não se engane, não foi prematuro.

A Eu Tenho Profissão é uma revista laboratório desenvolvida pelos alunos do terceiro ano de jornalismo do Cesumar (Centro Universitário de Maringá). Um ano antes de todo o preparativo começar vem a escolha: todo recém-nascido deve ter um nome. E então, em consenso, decidimos qual temática abordar em todo o trabalho. Este ano escolhemos vivenciar diferentes profissões. Saímos dali talvez não tão capacitados para cortar cana, encher o tanque do carro ou levantar cedo para montar a barraca de feira, mas com certeza saímos mais humanos. Sabendo encarar profissões menos valorizadas da maneira digna que merecem.

O desafio: conviver um tempo com os profissionais de cada área escolhida. Finais de semana, dias normais. Enfrentar 12 horas no canavial, e não venha com piadinhas de “fazendo o quê? hmmm”, a passar a manhã recolhendo lixo nos bairros, cada um ali tem uma história para contar. Em 104 páginas que, às 17h50 desta segunda-feira nublada, veio ao mundo. Permitiu que a luminosidade invadisse a caixa lacrada – sete, ao todo – e trouxesse à vida o que ansiava desde que sentei a bunda na cadeira para escrever minha reportagem. Que vocês podem acompanhar a primeira parte aqui.

A noite de segunda foi diferente. Teve outro tom. Não tinha estrela no céu, e sim uma nuvem pesada. Choveu. Chove. Muito. E nós sabemos, no fundo, o por quê. É que hoje é um dia especial, e até São Pedro desconfiou. Tivemos direito a fogos de artifício da janela da maternidade. Os papais de primeira viagem olhavam com as pupilas refletindo cada faísca que soprava lá em cima. E estufavam o peito, tal qual um pombo, mas de orgulho. E daí que a comemoração era para a nota 4 no Enade e a conquista do curso de medicina para a instituição? Quem se importava? Para um grupo seleto, os fogos tinham outro sentido. E folhear a mesma revista trocentas vezes faz parte do processo.

A sugestão de capa, as correções, as fotos tiradas para ilustrar cada história. E não posso deixar de lado as reclamações também. A madrinha de tudo isso, professora Rosane Barros, também teve de aguentar os chiliques – não só meus – até que a publicação veio ao mundo. Agora é espalhar essa história por aí. E deixar o filho crescer.

Entre a rua, a calçada e o meio-fio

Um quadro de flores carrega a mensagem “Boas-vindas! Quem vier, de onde vier, venha em paz”. É terça-feira de sol em Maringá, logo após o almoço, e o segundo período de atividades começa no “Serviço de Atendimento à População de Rua”: banho e lavar roupa às 13h30, lanche às 15h.

Um casal se aproxima às gargalhadas. O homem, aparentando certa agitação, bate à porta e levanta a voz. “Já pode ir pro banho?”. É quando Juliano Augusto Mariano, 27, auxiliar administrativo, pede para que aguardem – a ordem, em letras garrafais postas à entrada, é de comparecer 15 minutos antes para usufruir dos atendimentos. O ambiente de parede suja e porta verde é familiar para tantos que ali transitam. Há oito anos, 3.256 pessoas abandonaram o anonimato no primeiro procedimento exigido: o cadastro.

“São fantasmas da cidade”, comenta Lauro da Silva Passos, 47, um dos motoristas da abordagem de rua. Familiarizado com o a kombi branca que conduz, há 17 anos transporta gente que chega e vai como se repetissem a canção “A hora do encontro é também despedida.” Simpático, o motorista se destaca pelo bigode que exibe na feição risonha. Mas não é só de risadas que o trabalho se compõe, afinal, Passos acaba fazendo a abordagem por tabela e, depois de tanto tempo atuando na área, estranha o público atual que habita as ruas e calçadas. “Antigamente a gente lidava mais com os bêbados, com quem não tinha condições. Hoje é complicado, o tal do crack tomou conta… E a maioria das pessoas que vivem nas ruas são usuários de drogas”, alerta.

Duas duplas são responsáveis pelo atendimento nas ruas de Maringá, formadas pelo motorista e pelo educador de base – antigo agente social. Embora extinta essa nomenclatura, as duas funções requerem concurso público: para agente era necessário até o ensino fundamental completo, enquanto que para assumir a educação de base, a necessidade é ter, no mínimo, o ensino médio.
Ricardo de Britto Silva, 33, acompanha as abordagens como educador de base há um ano – e vai além da exigência: ele tem ensino superior completo, é formado em ciências sociais pela Universidade Estadual de Maringá. “Quando eu prestei o concurso, não sabia que viria parar aqui na abordagem. Aproveitei a oportunidade para tentar analisar socialmente as condições das pessoas daqui”, explica. Condições essas totalmente adversas que, por inúmeras vezes, passam despercebidas aos olhos mais apressados.

Basta conviver com o problema social ocasionado pelas péssimas condições de quem vive em becos pela cidade, que logo se percebe algo fora do comum com um simples direcionamento de olhar. Esse é o treino diário do educador: uma rápida análise e, então, levantar o diagnóstico: abordar quem está nas ruas não é das tarefas mais fáceis. “Não podemos obrigar ninguém a se tratar, a vir conosco. Nós oferecemos ajuda, mas a pessoa tem de querer”, comenta Silva. Atender de 10 a 15 moradores de rua por dia é um número bem abaixo da quantia que vive dispersa pela cidade: cerca de 200 pessoas em situação de rua, segundo a estimativa levantada pela equipe de abordagem.

Outro dado que se modificou com o passar do tempo, além do tipo de droga que os moradores consomem, foi a “ascensão” das mulheres – elas também conquistaram espaço nas ruas. O coordenador da abordagem de rua, Adauto Cezario, 45, ressalta a que vieram. “As mulheres de rua são líderes, muitas delas mandam nos parceiros. É principalmente por causa delas que os mocós são formados, por carregarem o princípio de constituir família.” Se não encontra um parceiro, a ala feminina acaba desenvolvendo outros truques. “Pode ver que mulher na rua tem jeito de homem. É instinto para se proteger.”

Foi em 2002 que Cezario, então com 36 anos, deu início ao processo de abordagem que atualmente é feito diariamente na cidade. “Comecei o trabalho com os flanelinhas, que eram as pessoas em situação de rua mais visíveis, no centro. Agora se espalhou, recebemos denúncia de todos os cantos da cidade.” Para dedicar tanto tempo ao serviço de abordagem, a preparação ocorreu no próprio ambiente de trabalho, que não é dos mais agradáveis. “Aqui você lida com situações delicadas, sente cheiros nunca antes sentidos. Somos educadores enquanto agentes. Não há preparação para se trabalhar como educador de base. O que é aplicado aqui não se aprende em faculdade.”

São esses alguns dos motivos que acabam espantando quem é enviado para trabalhar na abordagem de rua. “Não é um serviço para qualquer um, é preciso estar preparado visualmente, psicologicamente e socialmente. As pessoas que entram em contato com nosso trabalho têm verdadeira ojeriza da área. Elas ficam horrorizadas.” Questionado se algum caso ainda hoje, após nove anos, consegue espantá-lo, a resposta de Cezario é breve: “Nada mais consegue me surpreender”.

Primeira parte da reportagem publicada na revista laboratório “Eu Tenho Profissão“, de 2011.

Dooooooooodles

Já diria Toquinho que em uma folha qualquer se desenha um sol amarelo. E cinco ou seis retas podem ser o começo de uma possível obra-prima. Duvida? Quem nunca observou que, enquanto conversa ao telefone, supostamente presta atenção na aula ou em uma palestra, a mão de repente começa a rabiscar aleatoriedades no papel? Difícil é não conhecer alguém que tem essa mania, que, aliás, tem nome: doodle . É o hábito de rascunhar, criar desenhos enquanto está distraído ou ocupado com algum afazer. Em outras palavras, libertar a criatividade sem pretensão de criar algo específico. E daí surge até mesmo um dom: ou você sempre soube que podia desenhar?

Para a artista plástica Tânia Machado, definir doodle como “mania” soa como uma doença – e pelo contrário, é uma atividade bastante reveladora, segundo ela. “É um exercício de autoconhecimento. Definiria como um exercício de liberdade”, diz. E para fazê-lo não há restrição: “Independentemente da idade, da cultura, vivência, experiência de vida, todo mundo tem essa capacidade. É um trabalho do inconsciente.” Tânia conta que muita gente, a partir do desenho desenvolvido inconscientemente, descobre um novo hobby, uma nova maneira de expressão. “Geralmente, quando as pessoa se pegam fazendo isso é como se fosse um ‘Eureka!’. Ela se sente capaz de realizar um trabalho, desenvolver uma habilidade”.

Foi o que aconteceu com a estudante Rayanne Acorsi, 19, que tem o fichário repleto de rabiscos, criações ou, como queiram, doodles. “Depois que você comentou sobre esse hábito é que eu me lembrei que reparei: rabisquei a parede de casa, do lado do telefone, está toda rabiscada”, confessa. Rayanne tem contato com o desenho desde pequena. Na época de colégio as vítimas eram as carteiras, folhas de caderno ou mesmo o braço dos colegas. E é exatamente esse o fundamento do doodle: criar sem limites.

Hobby

A amiga Vivianne Peters da Silva, 22, não tem tanto contato com o lado artístico quanto Rayanne, que já fez aulas de pintura, mas conserva o exercício como uma espécie de hobby. “Desenho durante a aula, quando não dá para prestar atenção”, brinca. Quanto às criações, ela acredita que o autoconhecimento está bem presente no traço de seus desenhos: “Eu uso o desenho como forma de desestressar, são formas aleatórias, que surgem do nada, mas eu coloco o que eu sinto no papel”.

Rayanne dedura a amiga: “São desenhos depressivos”. Vivianne defende suas criações, justificando que, quando se sente mais triste, o desenho flui naturalmente. Por ser algo pessoal, criar sob pressão é um desafio à parte: sentada na cantina da UEM, com um papel e uma caneta na mão de cada uma e só foi possível um esboço de uma futura “obra de arte”. Vivianne tem o traço mais leve, e foca mais em esboçar rostos, pessoas ou criaturas. Rayanne tem um traço firme e rabisca mais árvores, flores e peças de roupas – à maneira de croquis. “Um dia, ainda vou fazer moda!”, avisa. As duas são acadêmicas do curso de enfermagem.

Essa expressividade no papel também faz parte do universo do autônomo Edilon Fernando Ayala, 20, que diz ter o hábito desde criança. “Quando era mais novo, fazia esses desenhos com mais frequência, acho que por falta de ter o que fazer ou com o que me preocupar”. A manifestação artística aparece em momentos parecidos. “Eu costumo desenhar geralmente quando estou pensando em coisas absolutamente distintas em relação às atividades que estou presente”, conta. Fazendo uma rápida análise das criações, ele reparou que há sim, uma mudança no traço dos “rabiscos”. “De acordo com o que estou pensando ou passando, os desenhos mudam, as linhas são diferentes”, reflete.

Ele não se considera artista e nem acha que descobriu um dom, mas não nega a importância dos traços na sua vida. “Às vezes é bom você se distrair com alguma coisa assim, se desligar do que está ao seu redor e pensar sobre coisas íntimas suas”, diz. A artista-plástica Tânia Machado defende essa particularidade das criações como componente do lado artístico. “Para a arte universal, são as experiências particulares que podem ser partilhadas”, afirma.

Welington Vainer

Os materiais são os mais diversos : tinta, caneca esferográfica, lápis de cor, grafite, caneta de retroprojetor – onde não há limite para criações, os materiais não são restritos. O infografista do Diário Welington Vainer está desde fevereiro no curso de Fundamentos da Linguagem Visual na UEM, e foi com a artista plástica Tânia Machado, que ministra as atividades do curso de extensão, que ele aprendeu algo que já praticava sem saber: que o exercício tem nome e embasamento.

A partir dos estudos dos doodles, Vainer dedica pelo menos um tempo do dia para “deixar desenvolver” o trabalho. O tempo para as criações tem uma média de 30 minutos. “Estimula a minha criatividade”, observa.


Google Doodles: parece trava língua, mas não é. A página inicial do Google em alguma data específica tem a logomarca modificada. O nome disso também é doodle. Essa brincadeira existe desde 1999, e, desde então, mais de 700 doodles foram criados pelo Google para o mundo todo. O motivo? Celebrar datas comemorativas, eventos importantes, e o que mais a criatividade permitir. Atualmente a empresa conta com uma equipe de designers voltados para esse tipo de criação. Todas essas definições são dadas no próprio site. Para sanar a curiosidade de quem acompanha as criações, há uma página que reúne todos os desenhos feitos até hoje.