“Rugby é um esporte para ogros, praticado por cavalheiros”

Meu primeiro contato com rugby foi a convite de um amigo meu (valeu Patcha!), que integrava o time Hawks aqui de Maringá, a fim de que eu registrasse um dos jogos amistosos que eles tiveram. Isso foi em 2010. No mesmo ano um dos trabalhos da disciplina de Fotojornalismo, ministrada até então pelo professor Fábio Dias, era desenvolver um fotodocumentário – foi aí que encarei o desafio de registrar o cotidiano do time e, consequentemente, o jogo. Rugby, por ser um esporte de (muito) contato físico, requer maior atenção daquele que se dispõe a fotografar os jogos. Não basta imagens dos passes – que predominou no meu trabalho – é um trabalho que garante também muitas expressões. Para realizar o documentário fotográfico eu usei uma câmera Nikon D90, com as lentes 70-300mm e 18-105mm.

Do trabalho escrito que entreguei à época, destaco o seguinte parágrafo, que exemplifica o meu objetivo em campo:

“Buscando colaborar na disseminação da modalidade principalmente dentro de Maringá é que o projeto de fotodocumentário foi embasado. Acompanhar o cotidiano dos atletas e compreender de que maneira a prática de rugby auxilia no desenvolvimento destes foi o primeiro passo para o registro fotográfico, que consistiu em captar a preparação, os passes que compõem o caráter do esporte, a relação entre os jogadores e a união do grupo.”

O Hawks foi fundado em 2007, e até 2010 contava com aproximadamente 70 atletas. No mesmo ano do fotodocumentário o time ganhou o paranaense de rugby, com a final realizada em Curitiba. Os treinos em campo eram (e são) realizados aos sábados no Parque Alfredo Niffler, conhecido como “Buracão” aqui na cidade. Uma das características que mais me chamou a atenção nesse meu breve período de convivência com o time foi o respeito que os integrantes têm um pelo outro e o respeito existente também pelo adversário. O que contrapõe o pré-conceito de um jogo violento, como a primeira vista é classificado. Não era raro ouvir dos próprios jogadores que “nós somos mais que uma equipe, somos uma família”.

Foi um pouco disso que tentei registrar (há uma foto que não registra exatamente os integrantes do Hawks, mas mostra que essa atmosfera “familiar” vai além de um único time, predomina, pelo menos aos times que pude observar, o mesmo significado também para o esporte). Hoje, revendo as imagens, penso que faria muita coisa diferente – e acho que sempre vai ser assim. Mas gostei muito da experiência que esse trabalho acadêmico me proporcionou. Bom… Vamos às fotos:

O trabalho foi composto por 12 imagens, mas abro uma exceção para outros registros aqui.

“(…) prever o próximo lance e estar preparado para fotografá-lo. Realmente é como um jogo e, para uma boa foto, você precisa participar. Conhecer o esporte. Acompanhar. Fazer parte.” (CESAR, NEWTON, 2003, p. 58)