Quarto ano em ação: Crianças desaparecidas

Depois de publicar todos os trabalhos desenvolvidos pela minha turma, chegou a vez de postar um pouco do que eu e o Cléber Gonçalves estamos fazendo este ano. Muita gente que gentilmente respondeu às perguntas comentou que foi uma tarefa difícil respondê-las, e concordamos com isso agora que não podíamos escapar das questões propostas.

Queria agradecer ao Binho por, mais que topar a empreitada, ser um amigo para todas as ocasiões. No decorrer da pesquisa também nos descobrimos como seres humanos, respeitamos nossos limites e sempre mantivemos um apoio mútuo de que tudo ao final daria certo. Assim esperamos concluir essa etapa de nossas vidas: com a mesma força de vontade que nos atiramos ao trabalho em equipe. Meu temperamento não é dos mais fáceis de lidar, então ponto para ele por conseguir pacientemente me aturar durante todos esses anos, em especial nos últimos meses. E vários pontos para a Rosane Barros por aceitar participar do desafio, puxando nossa orelha e permitindo que tudo isso acontecesse – sem os seus conselhos, orientações e crença no nosso trabalho, nada disso seria possível. Falta pouco, mas há muito a ser feito. Então mãos à obra! 🙂

Qual é o produto desenvolvido?

Nosso produto é um livro-reportagem sobre o Sicride (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas). A ideia é resgatar a trajetória do órgão vinculado à Polícia Civil. Para isso, o trabalho está contando com entrevistas com os delegados que atuaram desde a sua criação, em 1995, além de outros profissionais importantes nessa trajetória e famílias que vivenciam o drama do desaparecimento de crianças.

Por que esse produto?

O jornalismo literário une a literatura e o jornalismo e permite que as notícias sejam narradas de forma contextualizada, resultando, no nosso caso, no livro-reportagem. A elaboração de um livro-reportagem se justifica a temas de grande relevância social, com amplo conteúdo e informações a serem explorados. O Sicride foi um serviço de investigação pioneiro no Brasil, voltado exclusivamente para a investigação e resolução de casos envolvendo apenas crianças desaparecidas, sendo, ainda hoje, o único a explorar os casos somente dessa natureza em nosso País – já que os outros órgãos têm trabalhado pautados em desaparecimento de grupos de diferentes idades. Queremos mostrar como a centralização de casos, a notificação imediata da polícia e comunicação funcional entre as delegacias podem contribuir na resolução de cada situação. Para isso, trazemos exemplos de cada período e cada delegado, resgatando histórias que terminaram bem e outras que ficaram marcadas na memória popular pela brutalidade ou pela não resolução. Cabe ainda ao produto escolhido o resgate de como esse serviço começou: com 12 desaparecimentos anteriores a criação. Foi a mobilização de personagens envolvidos com tais casos que impulsionou o surgimento do Serviço, que hoje é modelo nacional e internacional.

De onde surgiu a proposta do trabalho?

[Ana] Desde o primeiro ano eu tinha vontade de fazer um livro-reportagem, mas os temas sempre foram problemáticos para essa decisão. Certo dia, quando eu trabalhava como fotojornalista no jornal Hoje Notícias de Maringá, fui com o repórter e amigo Vinícius Machado cumprir uma pauta na prefeitura da cidade – era fim de ano, a pauta era fazer um balanço com o então prefeito Silvio Barros sobre aquele ano, 2010. Era cedo e, após a entrevista, voltamos debaixo de uma garoa fina para o jornal, a pé (a prefeitura fica a três quadras da redação). Nesse meio tempo o Vinícius comentava sobre o TCC que ele entregaria dali a algumas semanas, o livro-reportagem “Histórias que o crime não conta”, sobre famílias de presidiários. Comentei que estava preocupada com o meu tema, ele já sabia que meu objetivo sempre fora construir um livro. Então veio a sugestão: por que não fazer algo sobre a família das crianças desaparecidas? “Se você não fizer, eu faço”, ainda brincou. E desde aquele dia tentei amadurecer a ideia, conversando constantemente com a professora Rosane Barros, que desde o segundo ano de faculdade já fora intimidada a ser minha orientadora (rs). Vários temas também vieram e discutimos. Em dado momento, retomei a sugestão do Vinícius, e a Rosane comentou que seria interessante focar no Sicride, por ser um serviço pioneiro no País. Pediu para que eu pesquisasse mais sobre o assunto, e fechamos o tema no início deste ano.

[Cléber] Minha parceria com a Ana surgiu já no meio do processo. Então professor da rede pública municipal e formando em jornalismo, encontrei dificuldades em definir uma temática e um modelo de trabalho, já que tinha o desejo de debruçar-me sobre o jornalismo literário, mas não havia encontrado alguém que comprasse a causa. Quando a Ana me apresentou a ideia, a paixão foi instantânea: não bastasse explorar um formato que muito me cativava, lidar com casos de crianças desaparecidas seria sensacional – devido à importância do tema e pela minha familiaridade com famílias e público infantil. Abracei a Ana, pela iniciativa, e o projeto, concebendo que será um material rico em informações.

Como está sendo a pesquisa desenvolvida sobre o trabalho?

A pesquisa começou em março, quando a Ana foi a Curitiba reunir materiais de acervos de jornais sobre o nosso objeto de pesquisa. Fomos em junho para a capital e passamos uma semana de intenso aprendizado na cidade, onde tentamos adiantar diversas entrevistas importantes para nosso trabalho. Localizamos quatro, dos cinco delegados que precisávamos – o primeiro delegado do serviço, Carlos Roberto Bacila, hoje trabalha na Polícia Federal em Foz do Iguaçu. Conversamos também com Arlete Caramês, responsável por toda a movimentação que resultaria no Sicride – seu filho Guilherme Caramês desapareceu em 1991. O artista forense Roberval Coutinho e a psicóloga Giovana Fabris. Pelo tempo, gastos e distância entre as cidades, achamos por bem basearmos nossa retomada de várias histórias com base em material jornalístico – começa aí outro exercício que chega a coçar meu nariz pelos ácaros e poeira só de lembrar, hahaha. Algumas pessoas foram essenciais nessa busca também, por se aventurarem conosco na retomada de algumas histórias – Londrina, Campo Mourão, Colombo, Umuarama e mesmo Curitiba. Conseguimos contato com Delva Palma, mãe adotiva de Ednilton Palma, desaparecido em 1992 em Maringá, por meio de nossa caloura Priscila Stadler, neta de Delva. Foi uma das entrevistas mais emocionantes que fizemos até então.

O que esperam desse TCC?

Terminá-lo bem seria gratificante. Mas esperamos disseminar essa iniciativa que deu certo em nosso Estado. Se as pessoas compreenderem a importância de um grupo especializado atuando dessa forma em casos de crianças, já seria um primeiro passo para mais uma mudança, quem sabe. E principalmente: não deixar cair no esquecimento crianças que, após 20 anos, 10 anos, um mês, ainda não retornaram para casa. Profissionalmente, esperamos contribuir para com a comunidade acadêmica, que poderá contar com um modelo de produto de profundo estudo e intensa elaboração, uma vez que não encontramos material teórico algum sobre o Sicride. Desejamos cumprir a missão social do jornalismo e trazer à tona informações e explicações para a comunidade.

Quais foram as dificuldades encontradas até agora?

Nossa dificuldade começa pelo desafio de resgatar uma história distante 426 km de nós – a sede do Sicride fica em Curitiba. Retomar todos os acervos, costurar essas histórias e escrevê-las. Acreditamos que nosso principal desafio é lidar com histórias tão delicadas: não é apenas o que nós, como acadêmicos nos aventurando na linguagem literária, queremos transmitir. É pensar de que maneira as famílias e os envolvidos nessa trajetória vão receber esse trabalho – suas próprias dores e vivências reescritas e a possibilidade de uma contribuição à luta travada em comum por elas.

Algum conselho para os demais estudantes?

Só passando pela experiência para entender que todos os conselhos do mundo não serão o suficiente se cada acadêmico não abraçar a própria causa, já que cada tema/trabalho tem particularidades ímpares.  Não há receitinha, mas aí vão umas dicas que podem ser valiosas: defina o tema, produto e foco com antecedência; comecem a pesquisa o quanto antes; e converse com um professor que você acredite ser o melhor para orientá-lo no desafio que terá adiante.

Quarto ano em ação: Dogville

O trabalho de hoje é especialmente para quem gosta de cinema. Ao longo dos três anos de convivência com a Cibele Chacon, foi inevitável ver de perto como ela se dedica e aprecia a sétima arte. Não foi uma surpresa saber que esse seria um tema a ser explorado durante o trabalho de conclusão de curso -, a dúvida ficou a cargo do que é que ela escolheria para desenvolver o TCC. O filme “Dogville”, de Lars von Trier, foi escolhido para acompanhá-la durante todo o ano. Aqui ela fala mais sobre essa escolha e como está o desenvolvimento da monografia.

Sinopse do filme: Anos 30, Dogville, um lugarejo nas Montanhas Rochosas. Grace (Nicole Kidman), uma bela desconhecida, aparece no lugar ao tentar fugir de gângsters. Com o apoio de Tom Edison (Paul Bettany), o auto-designado porta-voz da pequena comunidade, Grace é escondida pela pequena cidade e, em troca, trabalhará para eles. Fica acertado que após duas semanas ocorrerá uma votação para decidir se ela fica. Após este “período de testes” Grace é aprovada por unanimidade, mas quando a procura por ela se intensifica os moradores exigem algo mais em troca do risco de escondê-la. É quando ela descobre de modo duro que nesta cidade a bondade é algo bem relativo, pois Dogville começa a mostrar seus dentes. No entanto Grace carrega um segredo, que pode ser muito perigoso para a cidade.

Qual é o projeto desenvolvido?

É uma monografia que propõe a utilização da Análise de Discurso na construção da crítica jornalística de cinema e, para isso, analisa as relações de poder/saber materializadas na personagem Grace do filme Dogville.

Por que esse projeto?

Desde o início eu quis trabalhar com cinema, mas não produzindo material audiovisual, e sim o estudando. Pensei muito a respeito do trabalho que poderia elaborar e cheguei a conclusão de que analisar um filme a partir de uma corrente teórica e não apenas com minha percepção completamente subjetiva, seria uma tarefa nova e desafiadora. A escolha por Dogville surgiu naturalmente, é um filme que eu adoro, com personagens bem construídos e, arrisco dizer, dono do melhor final que já tive o prazer de assistir.

De onde surgiu a proposta do trabalho?

De início, a proposta era apenas a de analisar o filme, mas durante a banca do pré-projeto surgiu a discussão a respeito da contribuição dessa análise para o jornalismo. Sendo assim, como já escrevo críticas de cinema em um blog, pensamos que poderia ser uma junção melhor elaborada entre o cinema, que é minha paixão, e o jornalismo, que será minha profissão.  E, nesse caso, a análise de Dogville seria a exemplificação da proposta dessa “nova” crítica jornalística de cinema.

Como está sendo a pesquisa desenvolvida sobre o trabalho?

É uma pesquisa bibliográfica embasada na AD francesa e, portanto, leitura é mais do que fundamental. Analisarei as cenas em que a personagem aparece ou que, de alguma forma, tenha ligação com a mudança de comportamento que ela tem ao longo do filme, sendo assim, de um filme com quase 3 horas, há muitas cenas a serem analisadas. A pergunta que tentarei responder ao longo do trabalho é: como se estrutura e funciona discursivamente a personagem Grace, no filme Dogville, especialmente no que concerne às relações de saber/poder materializadas nos enunciados da personagem ao longo da narrativa fílmica? Definitivamente, desafio é a palavra de ordem para o desenvolvimento do trabalho.

O que espera desse TCC?

Honestamente? O que mais espero é TERMINAR LOGO. Além disso, é claro, que de alguma forma possa contribuir com outras pessoas que, assim como eu, gostam de cinema, crítica e jornalismo.

Quais foram as dificuldades encontradas até agora?

É uma pesquisa bastante árdua. Ler, interpretar e escrever a partir dos pressupostos de Michel Foucault não é nada fácil. Também tive muita dificuldade em encontrar materiais bibliográficos a respeito de crítica jornalística. Hoje, acredito que o trabalho esteja bem encaminhado. Ainda tenho muitos desafios pela frente, muitas cenas a serem analisadas, mas confesso que, após a correção da primeira versão, estou muito mais confiante e animada. Claro que o TCC continua um monstro de 8 cabeças assustador, prestes a atacar e arrancar meu coração, mas é bom sempre pensar positivo, né?

Algum conselho para os demais estudantes?

Se vocês pensam, assim como eu pensava, que monografia é mais fácil por não ter o trabalho de entrevistar pessoas, gravar, editar e afins, saiba que esse é o maior engano de todos. Monografia é realmente algo trabalhoso e demanda tempo, muito tempo, para leitura. Meu conselho é simples: FUJAM.

Quarto ano em ação: Grande reportagem

Hoje quem responde as perguntas é o bonito do Alisson Gusmão. 😉

Qual é o produto desenvolvido?

Uma grande reportagem sobre a presença de jovens nas igrejas cristãs de Maringá e as estratégias utilizadas por estas igrejas para atrair o público jovem.

Por que esse produto?

Por proporcionar os desdobramentos necessários para a abordagem do tema. Por meio do Jornalismo Literário, posso utilizar de uma linguagem autoral para apresentar os relatos obtidos por meio das entrevistas. De início, pensei em construir um livro, mas fui percebendo, a partir de conselhos de orientadores, que esta temática se encaixaria melhor em uma reportagem, pelo tempo disponível para a produção.

De onde surgiu a proposta do trabalho?

Surgiu com uma inquietação, tanto da orientadora como minha em relação à necessidade que alguns jovens têm de sentir-se envolvidos com a religião, enquanto o mundo secularizado em que vivemos tem mostrado uma outra realidade relacionada aos jovens.

O que espera desse TCC?

Espero, primeiramente, que seja algo que me proporcione finalizar com chave de ouro a minha graduação tão sonhada e pela qual lutei tanto. Também gostaria que fosse um trabalho a serviço do leitor, proporcionando ampliar os conhecimentos a respeito da temática desenvolvida. Há um sentido na vida de cada jovem religioso e é justamente essa essência que gostaria que chegasse aos olhos de meus leitores.

Quais foram as dificuldades encontradas até agora?

Inúmeras. Não gosto muito de comentar, mas já pensei em desistir do trabalho, devido à problemas pessoais enfrentados ao longo do ano. Um TCC é algo que exige muito empenho e disposição do aluno e, por esses desencontros da vida, não tinha muita vontade em me empenhar, precisava de um tempo para cuidar da minha saúde física e psicológica. Mas, graças a Deus, tive o incentivo de pessoas que verdadeiramente querem o meu bem, que me auxiliaram muito, até mesmo na produção, e me acompanharam. Em relação ao desenvolvimento do trabalho propriamente dito, a dificuldade maior foi em entender o TCC enquanto estrutura, suas especificidades e normas, e também em conseguir contactar com líderes de algumas das religiões pesquisadas.

Algum conselho para os demais estudantes?

Persistir. No início o TCC parece ser um bicho de sete cabeças, mas, quando vai tomando corpo, você percebe que era maior o medo mesmo. Não se limite à pressões que muitos vão lhe colocar, estes querem apenas lhe atrapalhar. Tive pessoas que incentivaram muito e outras que tentaram me sufocar com seus “ensinamentos” baseados no terrorismo. Outro conselho que dou é que já pensem no que pretendem fazer, mesmo que isso não vá para o papel, e procurem pesquisar sobre os possíveis temas (bibliografias, especificidades do tema), isso irá lhe ajudar muito a conseguir produzir um belo produto e/ou monografia sem ter de se apressar para os prazos, tentei fazer isso no 3º ano, mas não fui tão persistente quanto podia ser.

Quarto ano em ação: Perto demais

São 30 minutos de inquietação com o que a Meiryellen Formigoni tem a mostrar em seu trabalho de conclusão de curso. Encarar uma série de entrevistas sozinha e adorar cada minuto do que está sendo feito é um dos conselhos para quem está na expectativa do que fazer de TCC. E é algo que todos nós descobrimos depois de ter uma overdose do próprio tema, hahaha. Com vocês: Perto Demais.

Qual é o produto desenvolvido?

Estou produzindo um videodocumentário e um memorial descritivo que como tema, abordam qual seria a proximidade ideal de um jornalista/cinegrafista para com o “fato” para que ele não atrapalhe a execução do trabalho do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar de Maringá, e nem coloque em risco a própria vida (ou a vida de terceiros). O vídeo também trata dos pontos positivos e negativos da atuação da imprensa maringaense durante a cobertura de fatos que os militares atuam, como perseguições, incêndios, acidentes, assassinatos, roubos/furtos, prisões, sequestro entre outros.

Por que esse produto?

Primeiro porque desde o início da faculdade me identifico com o jornalismo televisivo. E partindo desse pressuposto, busquei algo diferente e que trouxesse o registro de tele, mas que ao mesmo tempo, não fosse tão curto quanto o tempo padrão de uma reportagem televisiva, ou uma grande reportagem. Eu criei muitas expectativas com esse trabalho, e queria algo que pudesse também despertar o interesse do público. Por permitir a utilização de mais efeitos, mais imagens e um bom aproveitamento de cada entrevista realizada (foram 15), optei pelo videodocumentário. Cara, deu muito trabalho, minha adrenalina foi a mil =  Eu “A – D – O – R – E – I!!! Faria tudo de novo” (risos).

De onde surgiu a proposta do trabalho?

Ai cara, eu sempre fui chegada numa adrenalina. Sou super hiperativa e eu não queria fazer um trabalho de conclusão de curso que desse sono. Algo tipo estou contando algo por contar ou “só estou fazendo isso pra passar de ano.” Eu me envolvi demais com todas as partes do projeto e queria produzir algo que tivesse a ver comigo. A ideia mesmo foi derivada de uma série de fatores e experiências. A primeira delas foi com a revista “Eu tenho Profissão” produzida em 2011 pelos alunos da minha sala. A proposta da revista era que cada acadêmico acompanhasse o dia a dia de determinada profissão para que depois, pudessem relatar isso em reportagens para a revista. Eu como adoro uma agitação, acabei escolhendo uma profissão “bem calminha”: o Corpo de Bombeiros. Pude acompanhar o dia a dia dos socorristas, dos oficiais, do administrativo enfim conheci e presenciei vários salvamentos. E em meio a tantas histórias durante as minhas permanências na corporação, me incomodei com o fato de que muitas vezes os bombeiros faziam o socorro, prestavam atendimento as vítimas, e sempre tinha um repórter ou um cinegra em cima dos caras, querendo informação a todo custo ou filmar a vítima sem qualquer tipo de preocupação com a exposição da mesma. Em casos de vítimas fatais, não houve (pelo menos nos que presenciei) uma preocupação com os familiares das vítimas. Isso me deixou bem #chateada. Outro fator que me auxiliou na escolha, é que durante um ano e meio fui repórter de uma emissora de Maringá. Em meio a cobertura dos acontecimentos, percebi também a proximidade para além do permitido (ultrapassando isolamento, áreas de crime e afins) de fatos envolvendo também policiais. Muitos colegas de profissão acompanham constantemente perseguições, assaltos, prisões e acabam por si só, colocando em risco as próprias vidas. Será que é preciso chegar tão perto para se conseguir uma boa reportagem? É exatamente essa a proposta do trabalho.

Como está sendo a pesquisa desenvolvida sobre o trabalho?

Realizei várias pesquisas sobre assuntos relacionados com o tema, e decorrentes também da proximidade exagerada dos profissionais da imprensa. Já para o vídeo eu produzi 15 entrevistas com repórteres televisivos de várias Emissoras de Maringá (RPC, BAND, MARINGÁ ALERTA, MARINGÁ URGENTE) e com integrantes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar de Maringá. Para completar, realizei uma entrevista com um parente de uma vítima de acidente, com um advogado para compreender as questões legais sobre o exercício da profissão e com um psicólogo. Acho que ficou bem interessante. Já estou com o produto (videodocumentário) e parte teórica (memorial descritivo) prontos. Falta apenas arrumar algumas coisas pontuais identificadas na pré-correção. Aí é só correr para o abraço. Falta pouco mais de um mês para a apresentação final.  Minhas mãos já congelam só de pensar #medo! rsrsrsrsrsrrs.

O que espera desse TCC?

Na realidade eu espero apresentar logo. É uma ansiedade fora de série que me corrói todos os dias.. rsrsrsrs.. Mas espero realmente que o trabalho possa contribuir com os acadêmicos de jornalismo para que sejam profissionais conscientes no futuro, com os veículos de comunicação de Maringá para que possa refletir sobre as atitudes que veem tendo durante o exercício da profissão, e também aos bombeiros e policiais, para que compreendam a necessidade da imprensa em cobrir os fatos relevantes. Acredito que, como ouvi todos os lados, seja possível conseguir respostas bem positivas com esta pesquisa.

Quais foram as dificuldades encontradas até agora?

Entrevista com o Tenente Frank, que acompanhou a aluna durante parte das filmagens

Para a produção do vídeo a maior dificuldade foi selecionar boas imagens, que não mostrassem tanto sangue para não chocar o telespectador e consequentemente afrontar aquilo que o meu próprio trabalho diz ser exagero, além É CLARO, de ouvir muitas vezes, durante muitos dias o som das sirenes. Eu dormia com o som de sirene na cabeça. Foi tenso! Agora de forma geral a maior dificuldade que eu encontrei foi conseguir ME controlar. Sou bastante ansiosa, quero tudo perfeito. Acho que já fiz umas 30 alterações no vídeo. E eu acho que ainda dá pra melhorar. Como eu escolhi um tema que gosto bastante, não encontrei dificuldades durante a produção. (Mesmo depois de passar a madrugada mais fria do ano na viatura da PM, esperando alguma

ocorrência chamar) rsrsrsrsr.

Algum conselho para os demais estudantes?

Galera do meu Brasil varonil, escolham FAZENDO UM FAVOR A VOCÊS MESMOS, um tema que curtam muito. É um ano inteirinho fazendo pesquisa, para quem for fazer produto – gravando, escrevendo, editando e afins. Não escolham qualquer coisa só porque tem que ser feito. Chega uma hora que isso pode se tornar insuportável e te trazer ainda muito prejuízo no final. Escolha uma área com a qual se identifica e um tema que te proporcione uma sensação de bem estar, que te dê vontade de correr atrás de informações, imagens, áudios para que o trabalho fique bacana. E o que é “de lei” né? Nunca, NEVER deixem para a última hora. Cabelos brancos são bem vindos apenas na hora certa rsrsrs. Amadinhos, qualquer coisa gritem! Um beijo e sucesso!!!

Quarto ano em ação: Born This Way

Hoje o lindo do João Paulo Dantas chega divando no blog, falando sobre a monografia que está desenvolvendo como Trabalho de Conclusão de Curso. A discussão é extremamente pertinente, e reforço que este é um trabalho que merece a atenção – não pelo hit pop da Lady Gaga, mas pelo discurso implícito.

Don’t hide yourself in regret
Just love yourself and you’re set
I’m on the right track, baby
I was born this way

Qual é o projeto desenvolvido?

Estou fazendo uma monografia, e o objetivo do trabalho é descobrir se há possíveis sentidos de resistência, frente ao discurso oficial, presentes no videoclipe “Born This Way”, da cantora Lady Gaga.

Por que esse projeto?

Antes de mais nada, estou realizando a monografia fazendo uso de uma análise do discurso, segundo a linha do filósofo francês Michel Foucault. Sempre tive grande empatia com a cantora Lady Gaga, que, apesar de ser estereotipada por muita gente como fútil, ela faz mais do que muitos. É possível ver os projetos que a cantora se engaja, como a “Born This Way Foundation” (Fundação Born This Way), que realiza um trabalho de conscientização contra o bullying em todas as camadas da sociedade – não dando ênfase aos que sofrem o bullying, a intimidação, mas àqueles que intimidam. O vídeo aborda questões como livre sexualidade, questões raciais e étnicas, além de amor próprio.

De onde surgiu a proposta do trabalho?

Ainda vivemos em um tempo em que nossa sociedade é extremamente homofóbica, mas o pior de tudo é que a maioria não sabe. Independente do resultado do trabalho – se há ou não resistência frente ao discurso oficial – acredito que isso se possa mudar, pelo menos fazer as pessoas pensarem um pouco mais, coisa que infelizmente não fazem, por estarem em um lugar cômodo. Nas escolas, entre as crianças, o preconceito é perpetuado, na própria universidade o preconceito anda sem rédeas, livremente. Vejo pessoas, em minha própria sala de aula, que não se consideram homofóbicas ou preconceituosas, mas sim, são. Escolhi o videoclipe pois além de lidar com questões como a livre sexualidade e contra quaisquer tipos de preconceito (como religião, raça, sexualidade etc), a letra passa uma ideia de aceitação, autoestima, para que assim, pessoas preconceituosas tenha menos êxito na sua árdua tarefa de discriminar.

Espero mostrar a partir desta monografia, que a homofobia não está presente apenas na violência física, mas ela também se dá de forma psicológica, como em piadas. Sim, piadas: não é questão de bom humor, é questão de bom senso. Não vemos piadas sobre homens, héteros e brancos, por que? Porque são aceitos socialmente. A homofobia se dá de diversas formas, e é preciso educar as pessoas que não sabem que são homofóbicas (será que não sabem?). É questão de educação, então creio que com esta monografia, farei mentes um pouco mais pensantes sobre a questão, mentes estas que já estão bem acima dos 20 anos, ou seja, é mais grave do que imaginamos.

Como está sendo a pesquisa desenvolvida sobre o trabalho?

Quanto ao meu trabalho, é ler, compreender, compreender e ler. Apenas. Tive de me aprofundar nas ideias de Michel Foucault, em livros como “A Ordem do Discurso”, “Vigiar e Punir”, “Arqueologia do Saber”, “História da Sexualidade” e “Microfísica do poder”. Além destes livros, meu orientador nos passou uma bibliografia complementar, com Milanez falando sobre o corpo, Gregolin nos passando ideias novas e claras sobre AD, etc.

O que espera desse TCC?

Espero que, independente dos resultados, como já foi dito acima, eu consiga pelo menos modificar o pensamento de quem o ler, de quem entender a temática. Principalmente daqueles que se acham livres de preconceito, mas na realidade está impregnado neles, que é o que me dói, principalmente quando são próximos. Enfim, abrir a mente das pessoas.

Quais foram as dificuldades encontradas até agora?

O trabalho é verdadeiramente árduo. A análise do discurso é árdua, afinal, temos que lidar também com interpretação, uma vez que a AD não é exata. Como analista, eu posso encontrar determinados sentidos presentes no vídeo, enquanto que um outro pode discordar e encontrar outros completamente diferentes daqueles que achei. Por isso é complicado, além de termos que lidar com conceitos para enfim, aprendermos sobre. Meu aprendizado da AD foi escasso durante a graduação, não por culpa dos professores, mas sim por questão de tempo, afinal, não é possível compreender análise de discurso apenas em um bimestre, é preciso se aprofundar. Sendo assim, a dificuldade é exatamente essa, exige concentração e empenho.

Algum conselho para os demais estudantes?

O conselho que eu dou é: não façam nada de última hora, PFVR. Uma hora o desespero bate, e é mais fácil fazermos as coisas com um tempo hábil, nos programarmos para isso (coisa que eu não fiz, que fique claro, haha). É isso. Independente de produto ou monografia, façam o que vocês gostam, afinal, lidar com um projeto o ano inteiro e não gostar, isso não pode.

Sugestão: http://casamentociviligualitario.com.br/ Peço que deem uma passada por este site, para entender como a homofobia pode ser criminalizada e o casamento civil (alô, amores: eu disse civil, e não religioso) possa enfim, ser legalizado. Os mesmos direitos com os mesmos nomes.

Quarto ano em ação: Lukas, perfil

Os maringaenses estão há um ano sem o cartunista Marcos Cezar Lukaszewigz, suas sacadas, seu talento e humor inconfundível. Ao completar essa data, fiz uma matéria especial para o caderno D+ do jornal O Diário com um box falando do TCC dos meus colegas de sala. Publico aqui na íntegra o conteúdo:

Até o final do ano um documentário em vídeo sobre a vida de Lukas deve ser feito em Maringá. O desafio foi proposto pela dupla de estudantes de jornalismo Camila Munhoz Maciel, 21, e Gustavo Lemos Hermsdorff, 21, que, como trabalho de conclusão de curso da faculdade, resolveram investigar e registrar a vida do cartunista. Serão aproximadamente 15 entrevistados contando histórias dele e falando de suas peculiaridades.
A expectativa é ter 25 horas de gravação que serão reduzidas a, no máximo 80 minutos. “Primeiro selecionamos alguns entrevistados para uma conversa informal, pesquisamos a vida do Lukas e partimos para um roteiro de filmagens externas, cenas ilustrativas”, conta Hermsdorff. O contato diário com a vida de alguém que não conheceram pessoalmente, fez crescer uma única vontade na dupla: “O sentimento é de que ‘poxa, a gente devia ter conhecido o Lukas’. Além de um ótimo cartunista, ele era um ser humano incrível”, diz Camila. Na opinião de Hermsdorff, o cartunista criou uma identidade pública muito forte.
“Ele mantinha contato com grandes nomes de São Paulo e Rio de Janeiro, como Jaguar, Laerte e Glauco. Mas o que mais nos chamou a atenção foram os amigos do dia a dia.” A lista é grande: são companheiros do próprio bairro onde morou, o Borba Gato, os amigos do boteco, o motorista do ônibus da linha 466 que pegava para ir ao Centro, a amiga que ajudava os cachorrinhos. “Essas eram as pessoas que ele ouvia, quem ele queria representar”.
A intenção é que, após concluído, o documentário seja exibido no Cesumar.

O trabalho de hoje é o da Camila Munhoz e do Gustavo Hermsdorff, onde eles jogam na roda como é produzir um material dedicado a uma figura tão ímpar na história da imprensa maringaense.

Qual é o produto desenvolvido?

Estamos fazendo um videodocumentário sobre a vida e a obra do cartunista Lukas que trabalhou mais de 20 anos no jornal O Diário do Norte do Paraná.

Por que esse produto?

O Lukas fez um trabalho muito relevante na imprensa de Maringá e muita, muita gente mesmo tinha um enorme carinho e admiração por ele. A ideia é eternizar a figura do Lukas, como alguém que contribui muito para o jornalismo de Maringá.

De onde surgiu a proposta do trabalho?

A ideia de homenagear o trabalho do Lukas partiu do Gustavo, mas a princípio a ideia era fazer um livro-reportagem. Em conversas informais ainda no ano passado, eu sugeri que ele fizesse um videodocumentário por acreditar que esse formato iria permitir uma melhor divulgação e consequentemente permitir que mais pessoas tivessem acesso ao trabalho. O Gustavo gostou da minha sugestão e me convidou pra abraçar a ideia com ele.

Como está sendo a pesquisa desenvolvida sobre o trabalho? 

A maior parte da pesquisa já foi feita. Lemos muita coisa do blog do Lukas, matérias feitas sobre ele, entrevistas que ele deu, conversamos bastante com a Isa, esposa do Lukas, conhecemos alguns bares que ele frequentava, enfim, buscamos a maior quantidade possível de informações sobre a vida e o trabalho dele e depois, é claro, tem o memorial descritivo que é que dá a sustentação para o trabalho, nessa etapa falamos do gênero charge, de videodocumentário, de jornalismo literário e temos ainda um capítulo todo sobre o Lukas.

O que esperam desse TCC?

Esperamos que o videodocumentário seja uma homenagem à altura do Lukas. Que as pessoas que não o conheceram, assim como eu e o Gustavo, compreendam a pessoa singela e grandiosa que ele era, e, claro, que esse vídeo seja um registro histórico de uma das personalidades mais marcantes da imprensa maringaense.

Quais foram as dificuldades encontradas até agora?

Acho que a parte operacional foi a mais complicada até agora. Optamos por fazer as gravações com câmeras fotográficas e isso nos rendeu algumas surpresas no caminho porque precisamos de um cartão de memória especial e até a gente descobrir isso, foram alguns dias quebrando a cabeça e pesquisando uma solução, mas depois que isso foi resolvido, não tivemos grandes dificuldades, de maneira geral, tudo está caminhando bem.

Algum conselho para os demais estudantes?

Meu conselho é que escolham temas que tenham afinidade pra que o Trabalho de Conclusão de Curso não seja um peso e que seja possível aproveitá-lo sem muita dor de cabeça. Acho interessante também que na hora de fazer a escolha seja avaliada a relevância social do trabalho que está sendo proposto. Na parte prática da coisa, fazer um cronograma te dá uma visão geral do andamento do trabalho, ai você percebe quando está tudo certo ou quando tem algo atrasado, isso é bom porque você só se desespera quando realmente tiver motivo rs…

Quarto ano em ação: Campeonato Paranaense de 1977

Retomando as postagens pós feriado e sabadão, os acadêmicos de hoje são: Johnny Katayama e Pedro Henrique Grava.

Qual é o produto desenvolvido?

É um livro-reportagem. Nossa proposta é resgatar a histórica participação do Grêmio de Maringá no Campeonato Paranaense de 1977 em comemoração aos 35 anos da conquista do título, e mostrar onde estão os campeões atualmente e o que eles estão fazendo.

Por que esse produto?

O livro-reportagem foi escolhido por ser um produto que possibilita o registro de um acontecimento histórico, como é o caso do tema escolhido. Nossa preocupação também estava em criar um produto que pudesse ser uma fonte para futuras pesquisas sobre o futebol profissional de Maringá. Não obstante, o livro-reportagem tem características que permitem trabalhar nossa proposta com profundidade, utilizando recursos estilísticos próprios dos autores em questões como estrutura, linguagem e apresentação; mantendo rigorosos critérios de apuração da notícia inerentes ao jornalismo.

De onde surgiu a proposta do trabalho?

O tema foi uma sugestão do jornalista Antonio Roberto de Paula. Nós tínhamos muita identificação com jornalismo esportivo, e procurávamos um tema nessa área para trabalhar. Em uma conversa com o de Paula na mesa de uma panificadora, nós debatemos alguns temas, como o futsal e o vôlei, até chegar ao futebol. Aí o de Paula falou: “se vocês pretendem criar alguma repercussão com esse trabalho, tem que ser com o futebol”. A partir deste momento, conversamos somente temas relacionados a futebol, até que ele se lembrou que em 2012 completariam 35 anos da conquista do Campeonato Paranaense de 1977 pelo Grêmio de Maringá, e começamos a fazer um brain storm ali mesmo, na panificadora.

Como está sendo a pesquisa desenvolvida sobre o trabalho?

A pesquisa ainda está em andamento, mas já posso adiantar que não foi nada fácil. A combinação de ácaros e poeira em contato com as vias respiratórias não é uma experiência muito agradável quando se é alérgico a ambos, então você já pode ter uma breve ideia do que foi pesquisar em jornais e periódicos de 1977 notícias sobre o Grêmio e o Campeonato Paranaense. E também, vale ressaltar, nós rompemos com a ordem estabelecida, a pesquisa documental não estava 100% concluída quando começamos as primeiras entrevistas, o que acabou dificultando o trabalho. Curiosamente, a entrevista que mais forneceu informações para tornar possível organizar um livro-reportagem foi justamente a última, com o historiador João Laércio Lopes Leal, gerente de patrimônio histórico da Secretaria da Cultura de Maringá. Ele fez com que nós mesmos enxergássemos nosso trabalho de outra forma, e a partir desta conversa nós sentimos que valia a pena fazer novas entrevistas, apurar histórias novas, tentar outras formas de abordagem. Isso nos incentivou a retomar a pesquisa documental e reagendar algumas entrevistas.

O que esperam desse TCC?

Esperamos cumprir com nossos objetivos, o que já seria um grande lucro. Não obstante, muitas pessoas, entre entrevistados e demais colaboradores, investiram tempo para nos ajudar nesta empreitada, e precisamos corresponder. No momento, estamos curtindo a apuração de um tema que nós gostamos. Antes de ser um trabalho é também uma forma de lazer. Nossa expectativa é finalizar este trabalho com perfeição. Se a partir dele surgirem oportunidades profissionais ou prêmios de jornalismo, é tudo consequência.

Quais foram as dificuldades encontradas até agora?

Das duas maiores que tivemos, uma depende de nós, outra, infelizmente, não. A primeira foi nossa falta de experiência como pesquisadores – o que nos levou a perder tempo e nos obrigou a repetir alguns passos em nome de uma apuração mais exata, fundamental para um livro-reportagem. A segunda, que não depende de nós, foram as eleições. Alguns entrevistados estavam em campanha e tivemos dificuldades para agendar uma entrevista com eles.

Algum conselho para os demais estudantes?

Dizem que se conselhos fossem bons não seriam dados, seriam vendidos, e não serei presunçoso a ponto de negar uma sabedoria popular. Mas, outro ditado popular diz que não devemos fazer com os outros o que não queremos que façam conosco e, como jornalista, não é agradável entrevistar uma fonte que se recusa a responder uma pergunta e/ou recorre a clichês e frases demodê como as que eu usei agora. Então, vou repassar uma lição que aprendi em uma aula de literatura, no Ensino Médio. “Não discuto com o destino, o que pintar eu assino.” – Paulo Leminski – quando conheci o adágio do poeta curitibano, passei a tentar aproveitar todas as boas oportunidades que a vida me proporcionou e, pelo menos até o momento, foi uma lição que me permitiu viver sem arrependimentos. Em especial para os estudantes, quem estuda é porque tem um sonho, um objetivo. E se o mundo for um grande teatro, cabe a cada um buscar o palco dos seus sonhos. Muito piegas? Então vamos dar um ar mais jornalístico: tanto a frase do Leminski quanto minha interpretação dela não possuem comprovação científica alguma, de modo que não posso dar garantia de nada. Portanto, se você quer um conselho prático e de eficiência comprovada, “use filtro solar”.

Quarto ano em ação: Comunicação Institucional

O trabalho de hoje é o da Julianne Lam! Obrigada Ju 🙂

Qual é o projeto desenvolvido?

O nome do meu projeto é “Comunicação institucional para o Terceiro Setor: Um estudo exploratório sobre o Lar Escola da Criança de Maringá”. Trata-se de uma monografia que prevê fundamentação teórica sobre comunicação organizacional, comunicação institucional e Terceiro Setor – de modo a criar bases teóricas específicas para entendermos comunicação institucional para esse segmento, diferenciando-o do ramo empresarial ou público, por exemplo. O resultado dessa pesquisa teórica, somado à pesquisa de campo com os voluntários da instituição, resultou na criação de um Plano de Comunicação Institucional para o Lar Escola. Pretendo escrever um artigo para publicação depois de terminar o TCC (se tudo der certo).

Por que esse projeto?

Porque sempre me encantou o trabalho de organizações não governamentais, que existem apenas pela vontade de construir um mundo melhor, seguindo um ideal desvinculado do interesse financeiro. Ações desse tipo servem para dar esperança a todos nós, mesmo que não tenhamos os mesmos ideais mobilizadores que os adeptos dessa ou daquela organização. Só o fato de saber que existem pessoas que não só acreditam, como também se doam (com tempo, dinheiro e conhecimento) em prol de uma causa, já me faz acreditar em um futuro melhor e me incentiva a trabalhar junto, sabendo que meus desejos não são uma utopia porque não estou sozinha nos meus sonhos – são sonhos coletivos e, portanto, objetivos e anseios sociais. Há quem acredite que deixar um pouco de si no mundo é simplesmente fazer um filho. Eu acredito que o mais importante seja deixar um legado no campo das ideias e dos ideais.

De onde surgiu a proposta do trabalho?

Surgiu por meio de conversas com uma amiga que trabalha no Lar Escola, a Ana Cláudia Covo. Ela me contou como é gratificante e, ao mesmo tempo, desafiador atuar numa instituição do Terceiro Setor. Foi aí que pensei que esse pudesse ser um bom tema para o meu TCC. Levei a proposta para a Ana Flávia e ela também achou interessante. Assim, começamos a formular um projeto que visasse a comunicação para que mais pessoas conhecessem e reconhecessem o trabalho que é feito ali.

Como está sendo a pesquisa desenvolvida sobre o trabalho?

A parte teórica exigiu muito tempo de trabalho, pois não havia referência específica para o campo do meu projeto. Existem vários livros sobre terceiro setor e muitos outros sobre comunicação organizacional – mas, surpreendentemente, num país em que a comunicação institucional do setor cresce a olhos vistos, não encontrei muitas referências sobre o tema. Me parece que existe o know how para o trabalho, transmitido oralmente e de modo informal, mas pesquisas científicas sobre o tema estão em falta. Então, surgiu a ideia (da parte de minha orientadora, Ana Flávia Sípoli Cól) de escrever um artigo que colaborasse para a disseminação de conhecimento científico sobre o tema.

O que espera desse TCC?

Eu espero que o conhecimento gerado pela pesquisa seja transmitido ao Lar Escola e a outras organizações sem fins lucrativos que prezem pelo bem estar das minorias. Não se trata de incentivar à divulgação desenfreada de qualquer organização (como sindicatos e associações), mas a tentativa de mostrar o trabalho de modo certo, sério e eticamente responsável das organizações da sociedade civil sem fins lucrativos. De uma maneira abrangente, acredito que as pessoas devem conhecer as organizações filantrópicas e ir em busca daquilo em que acreditam, não de modo a substituir as obrigações do poder público (como muitos pensam), mas atuar na cobrança de seus direitos junto aos governantes, direcionar o fluxo de capitais de modo descentralizado e eticamente responsável. Na minha opinião, as entidades são mais confiáveis que o poder público no que diz respeito ao repasse de recursos – além de serem mais fáceis de se monitorar: o que se dá por meio da prestação de contas diretamente à comunidade e aos parceiros (pessoas que apoiam a organização).

Quais foram as dificuldades encontradas até agora?

Foram inúmeras, como acredito que tenham sido os trabalhos de todos os colegas da sala. Quando se trata de um trabalho extenso, em que há dependência de outras pessoas (para fazer entrevistas, fornecer dados, etc.), existem muitas variáveis que podem não sair conforme o planejado. O projeto exige muito pesquisa teórica e atuação de campo em um curto período de tempo, em um contexto que envolve estágio, preocupações futuras e muita produção jornalística de outras matérias, além de provas e atividades práticas que tornam o dia a dia desgastante. Também existem “pequenos” imprevistos que fazem toda a diferença no resultado final do projeto. Não há planejamento que resista a um vírus que destrói metade da atualização do trabalho que levou um dia pra ser feita, por exemplo. Isso aconteceu comigo. Fiz e refiz meus gráficos (12 no total) por três vezes consecutivas, até que conseguisse mantê-los no arquivo. Também existem problemas na hora da impressão, a ansiedade, entre outros fatores de ordem pessoal que também atrapalham a produção acadêmica.

Algum conselho para os demais estudantes?

Não há uma receita pronta de “como fazer um TCC sem erros”, mas algumas dicas podem ajudar:

*Faça uma programação prévia do ano todo, com tudo que pretende incluir na sua rotina e que vai demandar tempo. Cursos, viagens, feriados e períodos de descanso. Assim, é possível saber, com antecipação, quais são os períodos que exigirão mais de você.

*Leia sobre tudo o que for apaixonante pra você, pois é isso que vai te dar forças para persistir em um trabalho desgastante e que gera preocupações: paixão. É preciso gostar do que se está fazendo. Do contrário, o projeto não será um desafio, mas um fardo (praticamente) insuportável.

*Faça o máximo de atividades complementares nos primeiros anos e calcule quantas horas terá de cumprir por mês para estar com toda a carga horária cumprida antes do 4o ano. Isso é se planejar para evitar dores de cabeça futuras e estabelecer prioridades.

*Reserve tempo para fazer as atividades com cautela e perfeccionismo, sendo atento aos detalhes. Trabalhos assim não são feitos rapidamente e, por mais que você confie na sua capacidade, desconfie dos imprevistos (que sempre surgem, acredite).

Quarto ano em ação: Visão de Liberdade

Continuo as postagens dos trabalhos produzidos pelos alunos do quarto ano de jornalismo do Cesumar. Hoje quem responde são as estudantes Aline Boone e Eloíse Fernandes. Obrigada meninas! 🙂

Qual é o produto desenvolvido?

Um Radiodocumentário sobre o projeto “Visão de Liberdade”, desenvolvido pelo CAP Maringá (Centro de Apoio Pedagógico para a pessoa com deficiência Visual de Maringá) e a Penitenciária Estadual de Maringá, no qual os internos produzem materiais destinados ao ensino do aluno cego, como livros em braille, livros falados e maquetes em relevo e por meio deste trabalho conseguem diminuir a pena.

Por que esse produto?

Sempre gostamos da área de rádio e achamos que a coleta de entrevistas seria mais fácil, por se tratar de um tema delicado. E também, tendo em vista as dificuldades que tínhamos de encontrar entrevistados para TV, optamos pelo rádio, que faria uso somente da voz e deixaria os entrevistados mais a vontade. O radiodocumentário também possibilitou que o tema fosse abordado em profundidade, já que é um assunto bastante complexo que envolve muitos personagens.

De onde surgiu a proposta do trabalho?

A Aline conheceu o projeto no ano passado e começou a desenvolver um pré-projeto para a disciplina de Pesquisa em Comunicação. Conversamos com alguns professores e eles acharam bastante interessante a ideia e disseram que daria um bom trabalho de conclusão de curso. Então, começamos a pesquisar mais sobre o assunto e entrar em contato com os envolvidos e decidimos por retratar a história do “Visão de Liberdade” em nosso trabalho.

Como está sendo a pesquisa desenvolvida sobre o trabalho?

A parte Teórica já está estruturada, com algumas referências sobre prisão, ressocialização, inclusão social e rádio. Já na parte prática foram realizadas todas as entrevistas com os envolvidos, detentos, alunos que recebem o material, coordenadores, professores e pais para entender, pela ótica de quem convive na prática com o projeto, quais são os benefícios desta iniciativa.

O que esperam desse TCC?

Esperamos que nosso trabalho possa contribuir de alguma forma para mostrar a importância de se valorizar o ser humano, de fazer ele se sentir pertencente ao meio social, independente do que tenha feito no passado, ou da diferença física que separa uns dos outros. E, sobretudo, mostrar que para mudar e construir um futuro diferente basta ter força de vontade e aceitar as oportunidades de mudança que a vida oferece. A partir de toda a pesquisa e contato que tivemos com os envolvidos, queremos mostrar que iniciativas como esta, devem servir de exemplo para outras penitenciárias e para outros centros que prestam apoio ao deficiente visual, que apesar de todas as mudanças no sentido da inclusão, ainda enfrentam tantas dificuldades.

Quais foram as dificuldades encontradas até agora?

Não houve grandes dificuldades até agora. Para entrarmos na penitenciária tivemos que seguir alguns parâmetros burocráticos, mas nos atenderam muito bem e se dispuseram a ajudar no que fosse necessário. No CAP, também tivemos bastante apoio dos envolvidos e da coordenadora do projeto, Maria Ângela, que nos indicou as fontes, com as quais deveríamos falar. A parte teórica foi cansativa, exige muita dedicação, concentração e renúncias, mas quando se define o caminho teórico a ser percorrido se torna mais fácil.

Algum conselho para os demais estudantes?

Se dedicar ao máximo e procurar desenvolver o trabalho em uma área de interesse, pois assim, se torna mais agradável e mais prazeroso. Ter foco no que se deseja e adiantar o máximo que conseguir o trabalho.

Quarto ano em ação: MMA

Chegamos no último ano de faculdade. Respiramos fundo, escolhemos um tema para ser destrinchado durante um ano. Enjoamos da nossa própria companhia. Às vezes parece que nada dará certo. Mas no final, meu amigo, sabemos – lá no fundo – que o esforço valerá a pena. Tenho a leve impressão de que não existe vida além do meu tema de trabalho de conclusão de curso, o tão temido TCC. As pessoas aparecem perguntando o que será produzido pela turma do quarto ano. Existem projetos legais? No que a galera está trabalhando? Curiosidade que eu também tinha quando chegava o período de bancas finais. Aí a nossa vez se aproxima a cada dia. E eis que surge a ideia de levantar com a turma de 2009 o que é que cada um está aprontando e saciar dúvidas nossas e curiosidade alheia: o projeto pelo(s) próprio(s) pesquisador(es).

Começo a série aqui com perguntas padronizadas para cada um que se prontificou a responder e participar, e já agradeço por terem topado compartilhar com os demais os desafios e os objetivos nessa estrada percorrida durante 2012. Espero que aproveitem.

O primeiro trabalho publicado hoje é do japa, Carlos Emori Junior:

Qual é o produto desenvolvido?

Estou produzindo um videodocumentário sobre o MMA (Artes Marciais Mistas) para debater o porquê é esporte para alguns e violência para outros. A ideia é debater opiniões com praticantes, médicos, educadores físicos, psicólogos e sociólogos.

Por que esse produto?

Sempre tive vontade de produzir o algum material sobre o tema, já que acompanho esse esporte há pelo menos 6 ou 7 anos, então, surgiu a oportunidade no Trabalho de Conclusão de Curso. Além de defender que realmente é um esporte (mesmo não podendo dar a minha opinião no trabalho), acho que é importante trabalharmos com áreas que nos interessamos e não só o MMA, mas também o jornalismo esportivo e o telejornalismo, que são áreas onde pretendo trabalhar. Sempre tive vontade de produzir algo sobre esporte no TCC, mas não queria fazer algo ‘igual’, queria algo inédito e até onde sei, há poucos trabalhos sobre o MMA.

De onde surgiu a proposta do trabalho?

Minha primeira ideia era produzir algo sobre o tae kwon do – além de ser um esporte que pratiquei na infância, Maringá era uma potência nacional da modalidade – mas não foi possível porque não atendia algumas exigências; em seguida, tentei fazer sobre o muay thai e também não deu certo. Então, a professora Ana Flávia me sugeriu o MMA, aproveitando o crescimento do esporte no Brasil e no mundo. O tema já havia sido pensado no ano passado, mas se fosse para fazer algum trabalho sobre isso teria de entrevistar os grandes nomes do esporte. Resolvi aceitar.

Como está sendo a pesquisa desenvolvida sobre o trabalho?

Na parte teórica, além de contextualizar o MMA, que deu os primeiros passos, na década de 1920, com a família Gracie, há também um capítulo para explicar o que é documentário. Também há um capítulo que sobre a relação Mídia x Violência. Na pesquisa de campo, fui ao Rio de Janeiro e conheci a academia Team Nogueira, uma das mais conhecidas e conceituadas do mundo quando se trata de artes marciais. Ela pertence aos irmãos Minotauro e Minotouro. Eles estavam viajando e não consegui entrevistá-los. Entretanto, entrevistei o Rony ‘Jason’, campeão da 1ª edição do reality show The Ultimate Fighter, transmitido pela Rede Globo e também o lutador Wagner ‘Caldeirão’ Prado, ambos do UFC, maior organização de MMA do mundo. Aproveitei a viagem ao Rio de Janeiro e também entrevistei o jornalista Fellipe Awi, do SporTV, autor do livro “Filho teu não foge à luta”, que retrata o início do MMA (desde os primeiros passos na décadas de 1920) até como o Brasil se tornou uma das maiores potências do esporte no mundo. Entrevistei também a jornalista e repórter do UFC, Paula Sack.

O que espera desse TCC?

Conseguir mostrar o que realmente é o esporte, o que é um artista marcial, diferenciá-lo de um brigador de rua e que existe uma filosofia da arte marcial e é seguida pelos atletas. Existem pessoas que utilizam de forma errada as artes marciais, mas esses não podem ser chamados de atletas, e sim de mau caráter. O objetivo também não é fazer todos começarem a gostar de MMA, mas se conseguir mudar a visão negativa que algumas pessoas tem do esporte, já será válido. Não precisa gostar, mas é preciso aceitar que é um esporte, seja ele violento ou não.

Quais foram as dificuldades encontradas até agora?

Começando por bibliografias sobre o MMA. Por ser um esporte recente, é difícil encontrar bibliografias sobre o esporte. Por sorte o jornalista Fellipe Awi lançou o livro ‘Filho teu não foge à luta’ e isso me ajudou muito na contextualização do esporte. Outra dificuldade é manter um distanciamento e separar a minha opinião do que é mostrado no videodocumentário. Pessoalmente defendo o esporte, mas não posso expressar a minha opinião. Na parte teórica, sempre encontrei dificuldade, já que realmente não tenho muita facilidade para teorias.

Algum conselho para os demais estudantes?

Se esforcem, não só no TCC, mas também na faculdade. Aproveitem todas as oportunidades, independente se é remunerado ou não, alguma coisa você sempre aprende. Sobre o TCC, escolham temas que tem afinidade e reflitam bastante sobre o trabalho, pois é cansativo e será algo que você terá de trabalhar durante um ano todo. Se possível, escolha o tema com antecedência, escolha um orientador e converse com ele antes, certamente ele irá te direcionar  da melhor forma e boa sorte.

Entrevista com o Rony Jason, no Rio de Janeiro