“A Circular Pocket, antes de um negócio e um meio de informação, é nossa paixão”

As jornalistas Karen e Dani, idealizadoras e responsáveis pelas publicações da Circular Pocket

As jornalistas Karen Gomes e Daniela Giannini, idealizadoras da Circular Pocket

Desde o dia 7 de dezembro do ano passado que a cena cultural de Maringá vem sendo abordada de uma maneira diferente. Que cabe no bolso, e isso nem de longe diminui o conteúdo. Explorando um viés diferente dos talentos locais, descobrindo e apresentando outros, a Circular Pocket traz, bimestralmente, um pouquinho da Cidade Canção nas páginas da revista que tem distribuição gratuita de 1.500 exemplares e nasceu dentro da academia: do trabalho de TCC das então alunas de jornalismo Daniela Giannini, 23 e Karen Gomes, 25, o projeto vingou e já conquistou espaço na vida do maringaense.

Para uma matéria de empreendedorismo acadêmico, conversei com uma das idealizadoras a respeito do projeto. Karen explicou minuciosamente todo o processo de criação da pocket – desde a ideia inicial de criá-la como um trabalho de conclusão de curso até tirar a ideia do computador e colocar de vez no papel impresso, para se tornar item de colecionador. A apuração e todo o trabalho quase artesanal da dupla de jornalistas que ama o que faz e está aí, para lançar a 4ª edição da Circular.

Arraiá em julho

Quem quiser se programar, vai lá: é sábado agora, 6 de julho, no Tribão. R$ 20 contos antecipado (no Rock and Honda e Quas4uatro) e o melhor do rock caipira do Charme Chulo. A outra atração da noite é o Havana 55. O arraiá começa às 23h e quem for a caráter vai concorrer a diversos prêmios. Só colar lá 😉

Enquanto isso, descobre aqui como nasceu a Circular:

Como surgiu a ideia de fazer uma revista pocket, ainda de TCC?

Bom, eu sempre soube que meu TCC teria de ser voltado para a cultura – que sempre foi minha paixão – e sempre gostei do impresso também. Aí, acho que quando eu cursava o segundo semestre de jornalismo, ganhei uma revista em formato pocket produzida em Foz do Iguaçu, de um amigo meu que era de lá. A revista era produzida por uma galera e focava na cultura geral e problemas sociais da cidade. Foi aí que tive a inspiração de fazer a Circular. Mas preferimos segmentar para a cultura de Maringá, já que não existia nada parecido por aqui. Chamei a Dani, que também se identificou bastante com o tema e topou ser minha dupla e aqui estamos até hoje.

E quando vocês perceberam que o projeto poderia vingar fora da faculdade? Ele já foi feito com essa intenção?

Ele não foi feito na intenção de virar negócio. Chegamos a diagramar a primeira edição e apresentamos em pdf. Tiramos 10 na apresentação e, tanto o orientador quanto a banca disseram que nossa ideia era muito boa e tinha chance de dar certo… Que devíamos correr atrás de anúncio e fazer esse projeto vingar. A gente ia disponibilizar o arquivo da revista no dia seguinte da apresentação, na internet mesmo, mas resolvemos aguentar a ansiedade, correr atrás de anúncio para poder viabilizar a impressão dos exemplares e deu certo! Dia 7 de dezembro do ano passado, fizemos uma festa de lançamento no Tribos e distribuímos 1.500 exemplares!

Ver jovens apostando em projetos próprios hoje é bastante comum. No caso de vocês, o que motivou a dar essa continuidade à ideia?

A paixão pelo jornalismo cultural e a repercussão positiva é o que faz a gente se virar nos 30 pra fazer a Circular Pocket dar certo. Em Maringá não tem nada parecido com nossa ideia e a cidade precisava disso… De um meio que apresentasse a rica cultura que temos aqui, em suas diversas formas de manifestação. É tanta história legal que a gente conhece e quer sair contanto pro mundo, então, por que não registrar isso? De certa forma, também estamos fazendo a nossa história aqui… Trabalhar com o que realmente gosta, deixa de ser trabalho. A Circular Pocket, antes de um negócio e um meio de informação, é nossa paixão.

Quais dificuldades encontraram (ou ainda encontram) a cada nova edição?

Além da correria de procurar pauta, escrever, diagramar, editar e conciliar outro emprego, a dificuldade maior ainda é encontrar empresas que queiram investir com anúncio em uma revista de cultura. Já levamos muito “não”, mas, tivemos a sorte de encontrar empresas com a cabeça mais aberta e que sabem a importância de ter o seu nome veiculado em uma revista de cultura.

A Circular Pocket chega na 4ª edição em julho. Como é feito todo o processo de levantamento de pauta, produção de conteúdo, edição e diagramação do material?

Levantamento de pauta a gente escolhe pesquisando, conversando e, muitas vezes, quando entrevistamos uma pessoa, ficamos sabendo de alguma outra história interessante. A maioria das pautas surgem no boca a boca mesmo. Sempre aceitamos sugestões e contribuição pra uma editoria que temos, chamada 1+1, onde as pessoas podem nos enviar desenhos em alta resolução ou textos de até 1.300 caracteres no revistacircular@gmail.com. As matérias, edição e diagramação eu e a Dani que fazemos mesmo, nas madrugadas da vida. Os anúncios contamos com a ajuda do Felipe Halison, estudante de publicidade e que abraçou a “Causa Circular” tanto quanto a gente.

Por ser uma revista cultural, fazer do lançamento de cada edição um evento cultural tem qual objetivo? Como surgiu essa proposta?

Quando resolvemos levar nossa ideia adiante MESMO e vimos que seria realidade, ter a revista em mãos… Sentimos a necessidade de comemorar. Aí surgiu a ideia de fazer a festa de lançamento, com bandas locais, exposição de fotos e quadros de artistas maringaenses. Foi mais por uma realização pessoal nossa e quando vimos, o bar estava completamente lotado, as cervejas acabaram, a galera amanheceu por lá e a repercussão foi demais. Foi tão positiva, que colocamos a festa da Circular como “combo” em cada nova edição agora. É também uma forma de movimentar mais a cidade e a cena cultural, que vai de encontro com o objetivo da revista.

Como é uma revista pocket segmentada e focada na região de Maringá, quais são os cuidados na hora de selecionar o conteúdo?

Tentamos, sempre, deixar o conceito de cultura trabalhado na revista o mais amplo possível. Não só as manifestações culturais – como uma banda – mas a cultura de uma forma geral, acho que isso amplia as nossas possibilidades de pauta. Como lidamos com um público regional, sempre vamos correr o risco de falar de algo ou alguém que outras pessoas possam ter mais detalhes de informação, pois nem tudo que falamos é de fácil acesso para pesquisa e um veículo cultural sempre tem doses opinativas. Portanto, nosso maior cuidado é a apuração dos fatos. Ainda assim, produzimos a primeira revista do gênero na cidade, ou seja, o primeiro documento sobre esses assuntos. Por isso, prezamos sempre, a apuração e uma conversa aberta com o público da revista.

Paralelo à revista vocês também mantém empregos fixos – ainda é complicado viver somente de um projeto próprio?

Ser jornalista é complicado. Ser jornalista trabalhando com jornalismo cultural em Maringá, é ainda mais hahaha! Nenhum novo negócio é fácil, por isso, temos outras fontes de renda. Mas levamos esse projeto a sério e claro, sonhamos um dia viver disso, como toda pessoa que cria um projeto. Mas nem tudo são flores, então, a gente vai trabalhando, estudando formas de crescer e progredir no tempo que temos para a revista.

Para quem está na faculdade e quer bolar um projeto para por em prática quando se formar, que dica você dá?

A dica essencial para todo projeto ter mais chance de dar certo é: faça o que gosta! Encontre seu segmento e o público-alvo – um que você goste de trabalhar – e claro, descubra o que ele gosta e precisa. Quando você trabalha em algo que você realmente se identifica, os estudos se tornam – um pouco – menos cansativos e o trabalho deixa de ter aquela “carga” e passa a fazer parte de você. É assim que a gente vê nosso projeto… Dá muito trabalho, mas de certa forma, nos completa profissionalmente 🙂

Circular Pocket - 4ª edição