Bate-papo sobre Livro-reportagem na 3ª FLIM

14284953_908267142611140_725599548_o

Em Maringá começa nesta terça-feira a 3ª edição da Festa Literária, 1ª Internacional. E, para os interessados, eu e meu amigo e parceiro de escrita Cléber Gonçalves vamos conduzir um bate-papo no dia 14, quarta-feira, às 15h30, sobre o tema “Livro-reportagem”. O encontro vai ser no auditório Hélio Moreira e a entrada é gratuita. Vamos aproveitar essa oportunidade para conversar um pouco sobre nosso processo de apuração, produção e concretização do livro-reportagem “Sicride: Um retrato das ações contra o desaparecimento de crianças no Paraná”, que fizemos como Trabalho de Conclusão de Curso.

Mesmo após quatro anos desde que finalizamos o livro e a faculdade de jornalismo, esse trabalho sempre vêm à tona: seja encontrando nossos entrevistados nos locais mais improváveis até a releitura da obra e a compreensão do nosso próprio amadurecimento enquanto profissionais. Hoje temos uma certeza de que, se o livro fosse feito agora, talvez o caminho percorrido fosse bem diferente. Nosso olhar agora é outro. Mas verificar que mesmo enquanto estudantes enfrentamos obstáculos como distância, tempo de produção e inexperiência, e conseguimos concluir com êxito nosso propósito nos dá aquela ponta de orgulho de que valeu à pena.

Nosso trabalho foi apresentado no Intercom Sul organizado em Santa Cruz do Sul (RS), finalistas com outros quatro livros-reportagens produzidos por alunos dos três Estados da região Sul no Expocom. Conquistamos ainda o segundo lugar do Prêmio Sangue Novo do Jornalismo Paranaense com o projeto, que também foi apresentado na 1ª Festa Literária de Cianorte. Mas o que certamente me deixou bem feliz foi que, após o envio das cópias finalizadas para nossos entrevistados, recebemos a seguinte mensagem de Arlete Caramês, mãe incansável e guerreira incurável da causa dos desaparecidos em nosso Estado:

Ola Ana Luiza

Bom Dia,

Quero cumprimentá-los pelo livro. Achei a melhor edição de um livro sobre o desaparecimento de crianças. Voces discorreram muito bem sobre o assunto. Estou torcendo por voces. Merecem ser premiados.

Um grande abraço

Arlete

Arlete foi nossa entrevistada fundamental para a condução do livro conforme foi escrito, porque ela quem liderou por muitos anos as reivindicações sobre a busca por crianças desaparecidas. A motivação? Seu próprio filho, Guilherme, desapareceu inesperadamente em 1991. Arrumando nossas papeladas sobre esse trabalho para a FLIM, a nostalgia foi inevitável, então perguntei para o Cléber o que significou para ele realizar esse projeto, e eis a resposta que compartilho com vocês.

Participar da construção do livro significou muitas coisas para mim. Mas a principal aprendizagem que tive é que existem muitas histórias a serem contadas; existem personagens e iniciativas que esperam por um olhar diferenciado, pois fazem diferença no nosso dia-a-dia. E essa, talvez, seja a principal função do livro-reportagem: a de dar voz e vez, de maneira aprofundada, para o assunto que ainda não teve o devido destaque, mas o merece.”

Essa resposta sintetiza muito do que buscávamos enquanto quase-jornalistas e reitera a importância do olhar mais humano e aprofundado para boas histórias. Bom, fica o convite para quem quiser conversar, esperaremos vocês! 🙂

13444270_1114530161923193_468285226_n