Sobre balões e pessoas

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Costumo dizer que amanheço todos os dias com o meu balãozinho da motivação cheio. Penso diariamente: HOJE VAI SER INCRÍVEL! E por vezes (mais constante do que eu esperava, é verdade), sinto esse balãozinho estourar no decorrer do dia e a motivação ir ralo abaixo. Ou sumir no ar, como preferir. Como um punhadinho de areia que pego todos os dias cedo e, no decorrer do dia, a areia se esvai por entre os dedos até sobrar poucos grãozinhos grudados no suor da mão de uma pessoa tomada pela ansiedade de mais uma vez permitir que venham com um palito de dentes e estourem meu arsenal motivacional.

Aí nem sempre estourar os tímpanos com músicas que eu gosto resolve o problema. Em geral isso só me protege temporariamente de tropeçar mais uma vez em obstáculos que surgem e me espetam. Me sinto frágil. Me transformo no meu próprio balãozinho. É, é isso. Eu sou o balãozinho.
Talvez no sentido figurado.
Mas possivelmente no sentido real.

Hoje mandei uma mensagem animada de bom dia para a minha mãe, e ela me disse:
– Fica sempre assim, feliz, porque a vida fica mais leve. Não deixe que estourem.

Ela sabe da metáfora do balãozinho, claro.
É a minha mãe. Minha melhor amiga. A quem eu recorro a cada desespero ou felicidade. É a pessoa que durante o dia me escuta e, perto da meia-noite, liga para o meu marido preocupada por eu não responder o telefone. Ela só quer saber se eu melhorei.
Ela é incrível.

Ok, enfim, voltemos.
Respondi:
– Já me desviei de duas situações hoje que podiam estourar meu balão!

É como aquelas brincadeiras de cuidar do ovo como se fosse algo precioso, sabe? Talvez eu devesse trocar a metáfora do balão pro ovo, porque o balão não faz muita sujeira quando explode. O ovo faz uma meleca danada e, se não limpamos direito, lembramos dele o resto da semana.
Fica impregnado no ar. Na gente. Martelando nossa cabeça: você deixou o ovo quebrar, deixou o ovo quebrar. De novo. Deixou. O. Ovo. Quebrar.

Mas eu acho o balão mais simpático.

Aprendi que preciso cuidar da minha motivação para me manter sempre pra cima. É claro que sozinha jamais conseguiria: isso requer apoio familiar, apoio de amigos, meu próprio apoio e policiamento.

Como é difícil se manter em constante motivação quando parece que o mundo lá fora quer simplesmente jogar o seu balãozinho em um quarto repleto de porco espinhos. Eu sei o que alguns vão dizer: depende mais de você do que do outro permitir que o balão estoure.

(Donos da verdade utópica)

Eu diria que depende muito: quando estamos vulneráveis, é inevitável. Mesmo se blindando, as coisas acontecem.

(Eu não sou dona da verdade utópica. Pode ser diferente com você. Se descobrir como sobreviver aos espinhos diariamente sem se deixar um diazinho sequer abater… Me conta? Por favor?)

Elas nos atingem.
E dói. Machuca. Nos faz querer parar, nos recolher como animais feridos que precisam de um tempo para lamber as próprias feridas.

Via de regra, a gente volta. Estaca zero. Temos um estoque grande de balõezinhos. Tem dia que consigo, com uma vitória fora do comum, manter ele intacto. Longe de objetos pontiagudos. Mas tem momentos que simplesmente… Ah, acontece. Quem nunca, não é mesmo?

Um dia de cada vez.
Como diz meu pai: dorme, amanhã é um novo dia.
Hoje é.
E é sexta-feira!
É uma linda sexta-feira, por sinal.
Com balõezinhos cheios. Coloridos. Vibrantes. Ansiosos pela sobrevivência – e que ela dure o fim de semana.

Que o balãozinho de vocês sobreviva às adversidades. Que no dia de hoje você possa alimentar mais o gás hélio que os palitos de dente.

Se não der, tudo bem. Amanhã vai ser diferente.

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