Somos todos loucos aqui

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Para variar, a escrita tem sido meu melhor remédio desde sempre. É aqui, por exemplo, que nesse momento eu vou gritar tudo o que está entalado no meu peito. Porque às vezes tenho a séria sensação que estou aos poucos enlouquecendo. Já perdi as contas de quantas vezes me imaginei levantando, jogando algo na parede e gritando a plenos pulmões. Bem cena de novela mesmo, sabe?

Mas eu sei que preciso ter autocontrole. E como é difícil ter autocontrole! Em vez de arrebentar coisas na parede cinematograficamente, eu me levanto plena, vou ao banheiro e desabo. Também perdi as contas de quantas vezes fiz isso. O nome disso é sofrimento. Causado pelas outras pessoas ou por mim?

O quanto eu sou responsável pelo meu sofrimento? O quanto eu permito que as pessoas façam o que bem entendem, infrinjam o limite da educação e me cutuquem com um espeto? Quanto tempo eu me permiti sangrar sem reclamar. Apenas para ser forte. Apenas para não me erguer com um baleiro nas mãos e arremessá-lo nas paredes?

No fundo eu só queria que o baleiro fosse a representação das minhas frustrações. Dos gritos que eu não dou. E que no momento em que eu arremessá-lo contra o concreto, tudo se desfaça. Tudo termine em cacos. Acabe.

O quão eu já estou louca e vendo coisas?

Será que estou no meu estado normal?

Me pergunto: será que estou exagerando?

Mas em quantos ditos exageros perdi um pouco de mim, porque em geral as pessoas não pensam que estão exagerando. Estão sendo expansivas.

Me diminuo para que a loucura do outro não me encontre com tanta frequência.

Estou cada vez menor.

Sou fraca.

Deveria aguentar firme e forte. Porque ser forte é a característica das pessoas de sucesso, ouvi dizer.

Mas até que ponto vou permitir que minha própria força me machuque?

O sofrimento, de todos os lados, é ocasionado por mim. Tenho brechas que permitem os cutucões. Preciso ser forte, me blindar.

Não consigo por vezes me esquivar da loucura alheia. Sou louca também. Mas estou me dissipando. Me destruindo. Permitindo. Fazendo.

E cada vez menor.

Onde está a minha força?

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